Remédios: até que ponto se pode confiar nos laboratórios?
Há algo de nebuloso no universo dos remédios. Os problemas têm origem na criação e no aperfeiçoamento de uma nova molécula, estende-se ao marketing agressivo e nem sempre honesto dos laboratórios farmacêuticos e culmina no mau uso do medicamento tanto por parte de muitos pacientes quanto por parte de médicos.
Os laboratórios gastam outro bilhão de dólares em propaganda nos dois primeiros anos de existência de um remédio – o que comporta, não raro, marketing abusivo. De acordo com a americana Melody Petersen, autora do livro Our Daily Meds (algo como Os Remédios Nossos de Cada Dia), médicos foram agraciados com jantares e presentes, quando não dinheiro, para “vender” remédio a pacientes e a outros médicos como uma droga milagrosa.
A Autora do livro A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos, Marcia Angell acusa a FDA pelo fato de ter sido estabelecida uma relação de dependência entre a agência e a indústria que ela deveria controlar.
A médica diz que, além de terem parte de seu trabalho científico bancada pelas companhias farmacêuticas, vários conselheiros da FDA estão na lista de pagamento dos laboratórios, na qualidade de consultores.
Algo pode nos levar a crer que no Brasil a situação seja melhor para o Paciente? Aqui, pasmem, a fiscalização sobre o correto uso do principio ativo, nos medicamentos genéricos, foi outorgada pelo Governo à Indústria Farmacêutica.
Outro relacionamento incestuoso, que merece a atenção da imprensa, é o dos Laboratórios de Análises Clinicas e a classe médica.